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O Patinho feio

  • Foto do escritor: Kora Miguel
    Kora Miguel
  • 23 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura



Comecei a ler para me entender e então comecei a escrever para me conhecer. Quando uma criança busca livros, estes dizem sobre quais enredos e dramas ela vive dentro de si. No meu caso, eu primeiro me apaixonei pela história do patinho feio e hoje eu sei o porquê. Se sentir diferente quando se é criança nem sempre é encorajador. O patinho tinha um final onde a sua diferença se tornava algo lindo e que o permitiu voar.


Se eu me sentia assim por dentro, não demorou muito para que viesse para fora o desejo de me diferenciar. Eu fui crescendo e muitas coisas não faziam sentido pra mim. De que adiantaria todos sermos iguais?


Inconstância, incompreensão, insignificância.

Eu via o mundo dos adultos como uma completa loucura que não fazia sentido e talvez não havia interesse em crescer e me misturar no que eu via.

Eu não me compreendia e com isso, me fechava. Fechei-me em livros, desenhos, sonhos, criatividade, expressões.


As pessoas que eu gostava: me chamavam de 'doidinha' e eu nunca entendia o quanto isso me magoava, tampouco respondi.

Me parecia que eu tinha uma sensibilidade dentro de mim que me tornava fraca, frágil. Eu precisava organizar tudo isso.

O mundo adulto não me interessava mas minha sensibilidade me fazia sentir-me sozinha.


Eu nunca tive alguém que eu compartilhasse o quanto essa dilema me machucava. No meio deste movimento do patinho feio ser colocado em vários lugares eu acabei me fechando. Fechei-me e não fui atrás de voar. Coloquei minha roupa de adulta e fui tentar fazer o que todos diziam ser o certo e esperado.


Eu entreguei o esperado, mas ainda era um cisne no lago.








 
 
 

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